A saúde mental dos profissionais que atuam em hospitais e instituições de saúde ganhou destaque em uma recente reunião do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) com o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde do Estado de São Paulo (Sindhosfil VP). O encontro, realizado via plataforma Zoom, abordou a crucial inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a Norma Regulamentadora 01 (NR-01), e a necessidade de as instituições se adequarem a novas diretrizes sobre assédio político e eleitoral.
Conduzida por Alessandro Silva (IPMMI) e com a participação de representantes de diversas instituições hospitalares do estado, a reunião sublinhou a importância de fortalecer o grupo para discutir temas relevantes que impactam diretamente o bem-estar dos trabalhadores da saúde.
Riscos Psicossociais: Uma Nova Frente na Segurança do Trabalho
O ponto central da discussão foi a integração dos riscos psicossociais ao PGR, um tema que tem gerado debates e expectativas no setor. O apresentador detalhou as atualizações da NR-01, que agora exige uma abordagem mais estruturada para identificar, avaliar e controlar fatores que podem afetar a saúde mental dos colaboradores. Entre os pontos destacados, estão:
- Fiscalização: A iminência da fiscalização sobre os riscos psicossociais, com a expectativa de que não haja prorrogação para sua implementação.
- Manual Orientativo: A aguardada publicação de um manual orientativo pelo Ministério do Trabalho, que deverá guiar as instituições na aplicação da norma.
- Planejamento e Metodologia: A necessidade de um planejamento robusto e a definição de metodologias adequadas, como a utilização de matrizes de risco e questionários iniciais, validados por entrevistas e observações.
- Documentação: A importância do registro formal e da documentação de todas as etapas, desde o diagnóstico até o plano de ação e monitoramento.
- Cautela: Um alerta para a cautela na contratação de soluções comerciais, ressaltando a necessidade de soluções personalizadas e eficazes.
O Cenário Hospitalar: Um Desafio Único
O setor hospitalar apresenta particularidades que intensificam os riscos psicossociais. A reunião ressaltou a complexidade do ambiente, marcado por:
- Pressão Emocional Constante: Lidar diariamente com situações de vida ou morte, sofrimento e perdas.
- Exposição a Situações Críticas: O contato com doenças graves, pacientes oncológicos e emergências.
- Duplo Vínculo Empregatício: Muitos profissionais da saúde possuem mais de um emprego, o que pode levar à sobrecarga e esgotamento.
- Impacto na Segurança Assistencial: O estresse e a fadiga podem comprometer a atenção e a tomada de decisões, aumentando o risco de erros médicos.
O consenso entre os participantes é que o segmento da saúde exige uma abordagem multidisciplinar e estruturada para lidar com esses desafios.
Indicadores e Equipe Multidisciplinar
Para monitorar a saúde mental no ambiente de trabalho, foram sugeridos diversos indicadores, como absenteísmo, turnover, entrevistas de desligamento, afastamentos por transtornos mentais e pesquisas de clima organizacional. A formação de uma equipe multidisciplinar é fundamental, envolvendo SESMT, Recursos Humanos, lideranças, jurídico/compliance, CIPA e psicólogos organizacionais. Embora o registro no PGR seja responsabilidade do SESMT, a análise e as ações devem ser conjuntas.
Combate ao Assédio Político e Eleitoral
Outro ponto relevante foi o comunicado recebido via Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET) sobre a obrigatoriedade de incluir o assédio político e eleitoral nas políticas internas das instituições. Isso implica na atualização de treinamentos, implantação de canais confidenciais de denúncia e integração do tema às medidas de prevenção de riscos psicossociais. As instituições reconheceram a urgência em se adequar a essas orientações.
Experiências e Perspectivas
Engenheiros como Edezio Tolentino de Souza Filho (SPDM) e Ruan Kailon (Hospital Regional de Registro – Instituto Sírio-Libanês) compartilharam suas experiências. Edezio destacou a implantação de ferramentas validadas internacionalmente e a dificuldade em separar fatores ocupacionais de pessoais, enfatizando a necessidade de evidências para fiscalização. Ruan, em sua primeira participação, informou que sua instituição está estruturando o processo com apoio de psicólogos internos, com previsão de conclusão em março, e ressaltou a importância do suporte técnico.
O encerramento da reunião reforçou que a adequação às exigências normativas é um processo contínuo, e o engajamento de todos é crucial para garantir um ambiente de trabalho mais saudável e seguro para os profissionais da saúde.